“A tecnologia muda muito devagar”, diz engenheiro.

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Robert Frankston

Um dos pioneiros da internet, americano esteve no Rio para uma conferência internacional sobre conectividade sustentável, promovida pela FGV

“Nasci no Brooklyn, Nova York. Estudei e fiz mestrado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Ao lado de Dan Bricklin, criei o VisiCalc, o primeiro programa de planilhas eletrônicas. Na Microsoft, trabalhei particularmente com redes domésticas. Estou online desde 1966.” Robert Frankston, engenheiro.

Conte algo que não sei.

O verdadeiro desafio é dizer às pessoas o que elas acham que sabem. Quando você usa termos como “banda larga”, não precisa saber o que isso significa para achar que sabe o que é. O problema é que, quando as pessoas acham que sabem, não questionam. É preciso ter cuidado com essas palavras, e elas são empregadas quando se decide sobre políticas de uso. Você não acessa a internet: você acessa um site, a internet é o meio para isso.

As pessoas confiam em aparelhos que não dominam?

As pessoas não percebem que poderiam entender muito mais sobre a internet. O desafio é tentar fazer as coisas serem mais simples, para que qualquer um possa fazer e escolher o que quer fazer. Isso significa empoderar as pessoas.

E qual é o primeiro passo?

Numa analogia com a direção na telecomunicação tradicional, você dependia de uma companhia telefônica, que seria a estrada, para fazer a mensagem chegar ao destino. A grande revolução foi descobrirmos uma outra abordagem, e a resposta é: se você cometeu um erro, pode tentar de novo, contornar isso com programação. Se aceitar esse risco, assumir essa responsabilidade, ganha poder e oportunidades, não vai para onde a estrada quer que você vá. As pessoas podem fazer muito mais.


Quais seriam essas outras possibilidades?

A internet poderia ser um médico monitorando a sua saúde, um monitorador do ambiente. Desligar as suas luzes de qualquer lugar, rastrear um animal, fazer ligações de graça. Ela permite um jeito totalmente diferente de construir coisas, de conectá-las. A questão é econômica. Mas se você tem a infraestrutura, pode fazer todas essas coisas porque a usa como uma tecnologia fundamental. A web é uma ótima ideia, mas é só uma das coisas que podemos fazer. Tudo o que está no meio, indústrias telefônicas ou esse modelo de negócio, poderia desaparecer. É bem menos caro do que achamos. Não é fácil, é um desafio.

Não precisamos de franquias de dados, por exemplo?

Isso é uma história que contam para assustar crianças antes de dormir. Você tem um fio. Como você consome um fio? Se você compra o mecanismo, você pode usar o quanto quiser, você é dono dele. Alguém tem o poder de impedir que você se comunique, por alguma razão. Quando você usa a palavra “consumir”, dá a ilusão de que pode esgotar isso. Não é a realidade. Aceitando essa linguagem, você aceita a escassez.


Como foi o seu primeiro contato com um computador?

Meu pai trabalhava com conserto de televisões, cresci no meio desse mundo. Comecei a programar com 13 anos. Aos 16, eu estava no ensino médio, mas tinha um emprego criando um dos primeiros serviços de informação financeira online. Em 1966, levei um computer trunk para casa, para estar online e tratá-lo como computador pessoal. Olhava para a internet como projeto de escola.

Como é olhar para a tecnologia hoje, ver onde chegou?

Ela muda muito devagar. Muitas coisas melhoraram e ficaram mais baratas, mas ao mesmo tempo, o software e as pessoas não mudaram tanto. O mundo ainda está uma bagunça. Não há mágica. Existem vírus, “bugs”, questões de privacidade ainda são difíceis. O hardware (parte física do computador) melhorou muito, é muito mais poderoso. Mas ainda estamos descobrindo o que fazer com isso.

Fonte: O globo

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