Antes de avançarmos com a informação que realmente importam, uma lição básica nos dias de hoje: com a Web 2.0, o consumidor ganhou realmente poder, não tendo já a necessidade de recorrer a jornalistas para mediar a informação. Se antes necessitava de um intermediário para fazer chegar os seus pontos de vista ao destinatário, hoje uma página nas redes sociais é uma porta aberta. Que o diga a Raríssimas, a associação sem fins lucrativos, criada em 2002, para apoiar crianças vítimas de doenças raras e cuja presidente está a ser acusada de desvio de fundos públicos para o pagamento de despesas pessoais.

A página de Facebook da Associação Raríssima, que este domingo se encheu de comentários negativos contra a presidente Paula Brito Costa na sequência da reportagem da TVI que mostra como a responsável levou uma vida de luxo à conta do dinheiro público que chegava à associação, foi eliminada da rede social. Também o site da associação continua em baixo. Uma pesquisa pelo nome da associação na rede social já só devolve um resultado: o da delegação do Algarve. E mesmo essa página já está inundada de comentários negativos e insultos contra Paula Brito Costa. A página da associação poderá ter sido apagada intencionalmente pela própria Raríssimas ou então pode ter sido temporariamente desativada devido ao elevado número de críticas negativas e denúncias que recebeu nas últimas horas. São vários os casos em Portugal em que uma polémica envolvendo uma marca, empresa, associação e, sobretudo, a forma desastrosa como é gerida a comunicação nas redes sociais foi rastilho para sérias consequências. A mais conhecida terá ocorrido em 2009.

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A Ensitel foi a primeira empresa Portuguesa que sofreu uma revolta nas redes sociais, quando a blogger Maria João Nogueira (responsável pela plataforma de blogs do Sapo) escreveu no seu blog Jonasnuts vários posts sobre a Ensitel que relata o caso de um telemóvel com defeito que a empresa não quis trocar. Em Dezembro de 2010, a blogger recebeu um documento de 31 páginas em que é intimada pelo tribunal a constituir a sua defesa, porque a Ensitel pretendia obrigá-la judicialmente a apagar os posts que relatam esta situação, decisão que acabaria por se transformar numa onda de críticas à posição ditatorial assumida pela Ensitel, posição que a própria empresa acabaria por reconhecer – e lamentar.

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